domingo, janeiro 04, 2009

Bia

Um dia me apareceu um anjo
E ele, ao fechar as suas asas,
me olhou nos olhos e disse
qualquer coisa

Com os cílios,
e os contornos
mas a boca imóvel

Não o entendi e ainda não entendo
O que será que ele quiz de mim?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

terça-feira, novembro 06, 2007

um pé atras, o outro mais.

sSe é para o bem de todoss
vViver por entre toloss
esssticaaar o tempo
oss'e'osso
e ser rés
-¿cegueira ou viseira?-
nesse mundo fosco...

segunda-feira, agosto 27, 2007

Fotografia

retrovisores da vida.

terça-feira, agosto 21, 2007

domingo, julho 29, 2007

a-feto (ou posternidade)

Mesmo antes de nascer
Da barriga da minha mãe
Até hoje dou meus chutes
Sobre quem sou eu

Passamos. O tempo e eu
colecionando os palpites,
Uns certos por dias
outros, meses...

Se fosse dizer ontem
Eu seria compreesão.
Anteontem, amor talvez.

Hoje creio que emoção,
carinho, afeto...
Mas o melhor mesmo
seria lacuna.

A conclusão que tiro disso,
curioso espectador de mim,
é que possivelmente sempre
não saberei responder eu
a esta questão de ser

A não ser que um dia,
O último deles, quem sabe?
Por quase não ser, saberei eu dizer
não quem sou, mas quem fui?

sábado, julho 28, 2007

Arco-Íris


Quando me vires olhar naquela janela
a que dá pra um tempo que já ficou pra trás
Não entre em outra viajem.
Deixa eu curtir a paisagem
não pense em nada demais

Vou indo no trem da vida
Passagem? Só de ida
pra mim não tem essa de voltar
Todo lugar é bonito
e o meu caminho, infinito
É aonde eu vou me encontrar

Meu presente é viver no presente
a saudade me dá o futuro
o que hoje pra mim é escuro
amanhã poderá ser a luz

Quero um tempo onde não haja tempo
sentimentos não são medidos
onde não faz sentido os sentidos
quando só o silêncio traduz

Céu de prazeres e flores
pincel e todas as cores
do arco-íris do amor.

Moraes Moreira

sábado, julho 21, 2007

jardim

Os espinhos são pra quem quiz despetalar a Flor:
A beleza rege a trova da dor
Insp. em Nação Zumbi
Ps.: barango!

domingo, julho 15, 2007

Acorda Quitéria!

Eu sei que faz um tempo que não venho te visitar, Tetéia... Estive por muito tempo lá fora e nem te escrevi. Mas é que, você sabe, lá fora a gente vive de contar os dedos... nem sobra tempo praquelas estórias de à noitinha, que até as estrelas vinham uma a uma ouvir, neném. Ah, desculpa aí, Quitéria! Agora que estou de volta te conto dos sonhos que tive naquelas noites que eu passei longe de nós. Só falta você desabrochar da flor dos teus lábios aquele sorriso e abrir a cancela do perdão pra eu entrar no teu abraço, Téia!

sábado, julho 14, 2007

As coisas modernas

Todas as coisas modernas
como os computadores e afins
sempre existiram.

Elas só estavam esperando
em uma montanha pelo momento certo
Escutando os ruídos irritantes
de dinossauros e de pessoas
fazendo coisas mundo a fora

Todas as coisas modernas sempre existiram.
Elas só estavam esperando para sair
e se multiplicar, e tomar o controle.

Agora é a vez delas...


Hans Lang e Bert Reisfeld

domingo, maio 13, 2007

eu vou ficar são

Tu peux me prendre pour un rêveur
Mais alors je ne suis pas le seul.
J'espère qu'un jour tu seras des nôtres
Et le monde sera uni...

domingo, abril 29, 2007

À rica rima de rita

Não irrite a rita.
Se a rita se irrita
deixe a rica rita
se irritar.

Se Rita ri,
ri da rima
e tarda rugas.

Rita ri da tarde
Rita arde
ri da arte
de rimar.

quarta-feira, setembro 20, 2006

quinta-feira, setembro 14, 2006

coração picante

Sem receita

Zé Miguel Wisnik

primeiro lenta
e precisamente
arranca-se a pele esse limite da matéria
mas a das asas melhor deixar
pois se agarra à carne
como se ainda fossem voar
as coxas soltas
soltas e firmes
devem ser abertas e abertas vão estar
e o peito nu
com sua carne branca
nem lembrar
a proximidade do coração
esse não!
quem pode saber como se tempera um coração?
limpa-se as vísceras
reserva-se os miúdos pra acompanhar
escolhe-se as ervas
espalha-se o sal
acende-se o fogo
marca-se o tempo
e por fim de recheio
a inocente maçã
que tão doce úmida e eleita
nos tirou do paraíso
e nos fez assim sem receita.

18 horas do dia ou da noite?

Anoitecer
Carlos Drummond de Andrade

É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas, sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.

É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há passaros;
só multidões compactas escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.

É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz - morte - mergulho
no poço mais ermo e quedo
desta hora tenho medo.

Hora de delicadeza
gasalho, sombra, silêncio.
Haverá isso no mundo?
É antes da hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.